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Volume 34 / Fascículo 3 & 4
Julho 2011
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Física: sem fronteiras e com muita cor
O estudo dos planetas extra-solares tem sido uma das áreas em maior actividade na Astronomia e inclusivamente tem impulsionado estudos em áreas como a Geofísica, para uma melhor compreensão da origem e evolução dos planetas. O projecto TRANSIT, do Centro de Geofísica de Évora, desenvolve uma campanha de acompanhamento de trânsitos de planetas extra-solares, utilizando o Observatório Astronómico da Ribeira Grande (Fronteira), cujos resultados apresentamos neste trabalho. Este tipo de campanhas, ainda que com equipamento modesto (pelos padrões actuais), permitem refinar os elementos orbitais dos planetas já descobertos.
Na base do fulgurante desenvolvimento da ciência forense está a incorporação do conhecimento e técnicas de várias especialidades científicas, onde a física ocupa lugar de relevo. Um exemplo desta articulação é o GPR (Ground Penetrating Radar, Radar de Penetração no Solo), que assume hoje grande importância na detecção de objectos e cadáveres enterrados. Este trabalho descreve um estudo sobre os limites de aplicabilidade do GPR em investigação forense. Foram concebidos e desenvolvidos ensaios laboratoriais (para aferir parâmetros físicos e técnicas de tratamento de dados) e de campo (onde se estudaram as condições de detectabilidade de artefactos metálicos e cadáveres de porcos enterrados). Os resultados mostram o potencial de aplicação da técnica para este fim e a possibilidade de se estimar o estado de decomposição dos cadáveres.
Um radiotelescópio na ilha da Madeira é uma grande oportunidade para aumentar a qualidade das observações em Very Long Baseline Interferometry (VLBI), as do European VLBI Network (EVN) em particular. Permitirá reduzir a antiga e infame “falha do meio-Atlântico” que está presente em observações atuais com o VLBI. Entre 2003 e 2007 estudámos em detalhe a meteorologia, interferência rádio e horizonte de três locais candidatos. Dois destes têm um excelente potencial para a instalação de uma antena VLBI.
Publicamos nesta edição da Gazeta de Física a segunda e última parte de um artigo, coordenado por M. Ribau Teixeira, onde se revêem os principais desenvolvimentos na história do laser em Portugal ao longo dos últimos 50 anos.
Em 1977, os físicos George Sudarshan e Baidyanaith Misra, da Universidade do Texas, publicaram um artigo surpreendente, intitulado “O paradoxo de Zenão na teoria quântica” . Físicos de todo o mundo ficaram intrigados.
Há entre os físicos aqueles que preferem confrontarse com grandes questões fundamentais, como as de saber quais são as partículas últimas do mundo e as suas interacções, e aqueles que optam antes por investigar fenómenos complexos observados no mundo que resultam de processos de organização sobre as quais as teorias ditas fundamentais nada dizem porque nada podem dizer.
O Encontrão || Simpósio “Frontiers of Physics” - 25 anos da Europhysics Letters || 5 a Escola de Professores no CERN em Língua Portuguesa || Workshop de fusão nuclear para professores do secundário
Neste trabalho vou explicar como se pode construir um dispositivo para simular uma combustão explosiva, usando materiais muito simples e que podem ser reaproveitados.
“Nem tudo o que luz é ouro” , lá diz o ditado popular. A superfície pode esconder um interior bem diferente. Se perguntarmos a alguém se sabe de que são feitas as moedas de 1, 2 ou 5 cêntimos de euro é provável que nos respondam que são de cobre. De facto, a sua superfície é coberta com esse metal, mas o seu interior esconde uma realidade diferente.
O que seria do verão sem água? Sem um copo de água fresca para tirar a sede, sem um mergulho no mar, no rio ou na piscina quando está quente, ou sem uma batalha de água com os amigos? Mas já terás perguntado alguma vez o que é a água?
Os sensores são componentes cada vez mais utilizados na sociedade actual. O seu uso no ensino, nomeadamente em actividades práticas, pode potenciar muito a aprendizagem eficaz das ciências e um melhor conhecimento e explicação dos fenómenos. Neste trabalho apresentamos uma revisão sobre as características dos sensores, suas principais classificações e contextos em que a sua aplicação é justificável. São também discutidos aspectos didácticos de enquadramento do uso dos sensores na prática lectiva.
Existe um problema grave com muitos dos nossos jovens. Uma evidente falta de interesse e entusiasmo pela observação de experiências reais, directamente ligadas à natureza, seja num laboratório escolar ou no dia-a-dia. Trata-se de um problema sério, a que resolvi chamar “efeito Lucas-Spielberg” (LS), designação baseada nos nomes dos conhecidos realizadores cinematográficos George Lucas e Steven Spielberg. A sua resolução figura-se complexa.
Numa questão de escolha múltipla do exame nacional da 1a fase de Biologia e Geologia de 2010 [1], foi considerada como resposta correcta a opção que afirmava, erradamente, que “um isótopo radioactivo desintegra-se espontaneamente a uma taxa constante ao longo do tempo” . Um olhar atento aos manuais e livros de exercícios da referida disciplina, mostra que o decaimento radioactivo é, com alguma frequência, mal tratado.
Pogson é pouco conhecido fora dos círculos científicos, embora tenha dado grandes contribuições à Astronomia. Astrónomo britânico, passou a maior parte da sua carreira na Índia, então colónia inglesa pouco visível para a comunidade científica internacional. Foi o fundador da astrofotometria quantitativa moderna, mas não publicou explicitamente esse seu trabalho. Como pessoa, era de carácter forte e opiniões bem vincadas. Tentava ter boas relações com os outros astrónomos, mas tinha tendência para criar inimizades nos locais onde trabalhava. Isso prejudicou-lhe o reconhecimento de uma carreira brilhante. Será para sempre recordado pela sua escala de magnitudes, quantificada pela equação com o seu nome, e pelos trabalhos em estrelas variáveis e asteróides. Neste artigo acompanharemos a sua vida e o desenvolvimento da sua famosa equação. Em artigos seguintes veremos várias aplicações práticas dessa mesma equação.
Em recordação do Professor Edmundo Curvelo, meu antigo professor de Filosofia no Colégio Militar que, ignorando completamente a História da Filosofia, aproveitou as aulas para nos estimular a pensar e agir, e da Professora Maria João Ceboleiro, uma das últimas pessoas com que podia falar destes assuntos.
“O Grande Desígnio” Leonard Mlodinow e Stephen Hawking Gradiva (Col. Ciência Aberta), 2011 || “Física para Engenheiros” Mircea Serban Rogalski e António Ferraz Escolar Editora, 2011 || Livros de divulgação científica - selecção de 2011

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