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Volume 41 / Fascículo 3/4
Janeiro 2019
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Em 11 de maio de 2018 comemorou-se o centenário do nascimento de Richard Feynman, um dos grandes cientistas do século XX. Feynman foi prémio Nobel da Física em 1965, juntamente com Julian Schwinger e Sin-Itiro Tomonaga, pelas suas contribuições para o desenvolvimento da Eletrodinâmica Quântica. Em 1999, numa sondagem da Physics World a Físicos de renome, foi considerado um dos dez Físicos mais influentes de todos os tempos. Tem uma vasta obra publicada, tanto em Física fundamental, como em divulgação para o grande público, como nos mostra neste número o artigo de Carlos Fiolhais sobre os livros por ele escritos. Neles é posto em evidência não só o trabalho de Richard Feynman enquanto cientista, mas também a sua faceta de divulgador de ciência. Feynman é sem dúvida uma figura inspiradora, cujo percurso desperta a curiosidade de todos nós, como se percebe pelas numerosas biografias a ele dedicadas, pelas inúmeras obras relativas ao seu trabalho ou pelos numerosos sites da internet que fazem a compilação de frases, poemas, histórias de vida e mensagens que ele deixou.


Richard Feynman é conhecido cientificamente sobretudo pelo seu trabalho em Física das Interações Fundamentais. 
Feynman foi um dos proponentes da Eletrodinâmica Quântica (QED), a versão quântica da teoria eletromagnética formulada no século XIX, tendo por isso sido galardoado em 1965, juntamente com Julian Schwinger e Shinichiro Tomonaga, com o Prémio Nobel de Física. Por ocasião dos cem anos passados sobre o seu nascimento, pretendemos com este artigo recordar os principais aspetos do seu trabalho.
Mais do que discutir a sua óbvia relevância científica, procuraremos refletir sobre o papel do mesmo na investigação científica em Física nos dias de hoje.


A Conferência Europeia de Física das Altas Energias (HEP), organizada pela Sociedade Europeia de Física (EPS) teve lugar em Lisboa de 9 a 15 de julho de 1981. Foi um enorme acontecimento científico, com a participação de alguns dos melhores e mais famosos físicos de partículas, incluindo vários Prémios Nobel.


 

Conheci o Richard Feynman em 1981, em Lisboa, quando eu era ainda um jovem estudante de Física em Paris. Ele era então um vencedor do Prémio Nobel e um famoso homem de ciência. Naquele tempo não havia a Web, o acesso à informação era bem mais limitado do que nos dias de hoje e naturalmente eu não tinha ideia a mínima ideia da sua aparência, apenas queria conhecê-lo, ter uma ideia concreta do que era uma lenda viva da ciência, do que era um génio. Hoje em dia é possível que a atração pela Física não seja tão pronunciada nas nossas sociedades pós-modernas como era naqueles tempos, talvez, julgo eu, por uma certa indefinição no papel do cientista na incerteza dos tempos atuais. Mas no século passado, por assim dizer, estudar Física, ser um Físico, era algo de verdadeiramente extraordinário. Então passei literalmente durante todo o dia à sua procura durante a Conferência Internacional sobre Física de Altas Energias, que decorreu em Lisboa de 9 a 15 de julho daquele ano. Como eu não sabia como encontrá-lo, aproximei-me e perguntei a Gerhard t’Hooft, que na época ainda não era Prémio Nobel, se sabia onde se encontrava o Feynman. Surpreso com a minha pergunta, t’Hooft respondeu, “Ele passou por mim faz alguns momentos”.


O físico Richard P. Feynman morreu há trinta anos, mas ficaram os seus livros. No centenário do nascimento de Feynman, Prémio Nobel da Física de 1965 conjuntamente com Julian Schwinger e Shin’ichiro Tomonaga pelos seus trabalhos sobre electrodinâmica quântica, apresento aqui e comento uma lista bibliográfica das suas obras.

O corpus sobre o qual assenta esta lista é o conjunto dos livros de Feynman e sobre Feynman existentes em bibliotecas da Universidade de Coimbra, em particular na Biblioteca de Física e Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia (sobretudo obras científicas e pedagógicas) e no Rómulo – Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra (sobretudo obras de divulgação). Todos estes livros podem ser consultados ou eventualmente requisitados nessas bibliotecas. Decerto que noutras bibliotecas equivalentes se encontram outros exemplares. Os títulos encontram-se aqui divididos em obras científicas, obras pedagógicas e obras de divulgação. Dentro de cada categoria as obras são listadas por ordem cronológica de publicação. 


O ano que passou trouxe várias descobertas na fronteira do infinitamente pequeno, o domínio onde impera a Física de Partículas. Neste artigo, fazemos uma viagem pelas últimas novidades do mundo das partículas, com passagem por experiências e teoria que exploram uma realidade por vezes mais fantástica do que qualquer trabalho de ficção.
Experimentalmente, a Física de Partículas é investigada em experiências que não podiam ser mais diversas: desde gigantescos aceleradores como o LHC, a experiências que cabem numa pequena sala (mas conseguem uma inigualável precisão em medidas muito específicas1), até experiências que procuram antimatéria no Espaço ou matéria escura nas profundezas da terra. A própria atmosfera terrestre ou o gelo do Polo Sul são usados para procurar raios cósmicos ou neutrinos de enorme energia, ligando a Física de Partículas à Astrofísica, o infinitamente pequeno e o infinitamente grande.


O Professor Michael Kosterlitz esteve recentemente em Portugal a convite da Sociedade Portuguesa de Física (SPF) para participar na conferência FÍSICA2018 que teve lugar na Universidade da Beira Interior entre 29 de agosto e 1 de setembro. A FÍSICA2018, organizada pela SPF e pela Universidade da Beira Interior, consistiu na junção de dois encontros: a 21ª Conferência Nacional de Física, e o 28º Encontro Ibérico para o Ensino da Física. Deste modo, a FÍSICA2018 foi um encontro frutífero entre investigadores, professores (desde o ensino secundário ao ensino superior) e alunos, interessados na partilha de experiências e no debate do estado da arte da investigação em Física. A palestra plenária do Professor Michael Kosterlitz intitulada “Topological defects and phase transitions – Vortices and dislocations (A random walk through physics to a Nobel Prize)” teve lugar no âmbito da 21a Conferência Nacional de Física, um evento bianual que congrega investigadores que desenvolvem a sua investigação em Portugal em todas as áreas da Física com o objetivo de apresentarem os seus resultados mais recentes à comunidade.


O projeto CanSat da Agência Espacial Europeia (ESA), que é organizado em Portugal pelo Ciência Viva, é ambicioso e desafia alunos e professores de toda a Europa a desenvolver um microssatélite com o tamanho de uma lata de refrigerante que posteriormente será lançado de uma altitude de 1000 m. Durante a construção os participantes deverão estabelecer os objetivos da missão e integrar na pequena lata de refrigerante (115 milímetros de altura e 66 milímetros de diâmetro) [1], todos os elementos essenciais de um satélite, como sensores, alimentação e sistema de telecomunicação. Esta é uma atividade que estimula a imaginação de muitos alunos e que os lança num projeto espacial enquanto estudantes do ensino secundário.


Este artigo tem como objetivo principal divulgar e auxiliar, tanto alunos quanto profissionais, procedimentos experimentais para determinação de índices de refração de maneira prática e rápida, através do Método de Pfund (descrito no texto), uma alternativa experimental que usa uma camada de espessura milimétrica de material transparente com superfície inferior refletora.


Sem grande alarido mediático, a colaboração LIGO (Laser Interferometer Gravitational-wave Observatory), juntamente com a sua congénere europeia, Virgo, anunciou no início de Dezembro de 2018 mais quatro deteções de ondas gravitacionais, originadas por colisões de buracos negros. Estes eventos foram detetados durante a segunda janela de observações, que decorreu de 30 de novembro de 2016 a 25 de agosto de 2017. Desde então os detetores têm estado a sofrer melhorias técnicas para aumentar a sua sensibilidade, devendo a terceira janela de observação começar no início de 2019. 
Com estes quatro novos eventos, sobe para onze o número total de deteções, num total de cerca de 12 meses de recolha de dados. Este período engloba as duas janelas observacionais já concluídas, sendo que nem sempre os detetores estiveram totalmente operacionais.
De facto, a colaboração estima uma detecção por cada 15 dias de dados analisados até ao momento. Ou seja, aquilo que em setembro 2015, quando foi feita a primeira deteção, foi um avanço excecional (“breakthrough”) tornou-se rotina três anos depois. E apenas o facto de os detetores estarem frequentemente desligados impede que o número de eventos observados seja ainda maior.


O inverno é tempo de neve em muitos locais de Portugal.

E mesmo não vivendo em locais onde neva gostamos de viajar para a ir ver. O que forma o manto de neve que deixa toda a paisagem branca?
Pequenos cristais com as formas mais variadas!


Onésimo Teotónio de Almeida é um nome maior da cultura portuguesa contemporânea. É professor catedrático da Universidade de Brown (Rhode Island), no Centro de Estudos Portugueses e Brasileiros que ajudou a criar. A sua obra contempla várias áreas da cultura nacional, estando a ser publicados pela Quetzal, de forma sistemática, conjuntos dos seus artigos.
«Despenteando Parágrafos» (2015) cobre a sua visão sobre a realidade cultural portuguesa, tendo-se seguido «A Obsessão da Portugalidade » (2017), sobre a identidade nacional.
Este «O Século dos Prodígios- A Ciência no Portugal da Expansão» (2018) interessa em particular aos historiadores da Ciência pois reúne textos onde o autor se debruça sobre as caraterísticas de um núcleo de pensadores e criadores que desenvolveram no nosso país uma mentalidade científica a partir da observação da Natureza decorrente dos Descobrimentos portugueses.


Foi realizada no dia 28 de setembro de 2018, na Universidade de Genebra, na Suíça, a cerimónia oficial de comemoração do 50º aniversário da Sociedade Europeia de Física. A cerimónia foi constituída por um conjunto de palestras sobre a história da Sociedade Europeia de Física e o seu impacto, bem como sobre a sua integração e ação no mundo atual. O evento, onde a Sociedade Portuguesa de Física participou com uma delegação, foi também acompanhado, no dia 29 de setembro, pelo VIII Fórum EPS - Física e Sociedade. O fórum, com o subtítulo “Física e ética, para a sociedade no Horizonte 2050”, destinou-se a organizar, debater e a preparar a nova declaração da Sociedade Europeia de Física, sobre estes temas.


A 21ª Conferência Nacional de Física e o 28º Encontro Ibérico para o Ensino da Física decorreram de 29 de agosto a 1 de setembro na Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior (UBI).

Foi uma organização conjunta da SPF, do Departamento de Física e da Faculdade de Ciências da Saúde (FCS) da UBI. No link: https://eventos.spf.pt/fisica2018/pt/ podem ser vistos mais detalhes.

Esta conferência bienal contou com 225 participantes, dos quais 65 usaram a participação na conferência para realizar uma Ação de Formação, tendo assim reunido a comunidade nacional de físicos, abrangendo docentes do ensino básico ao superior, investigadores e estudantes de todas as áreas da Física, com o objetivo de partilhar entre si o estado atual do conhecimento em Física.


A realização em Lisboa da 49ª Olímpiada Internacional de Física, que decorreu entre 21 e 29 de julho de 2018, foi tema de uma emissão filatética comemorativa por parte dos CTT. A física volta assim a “circular” nas cartas enviadas de Portugal, depois de o mesmo já ter acontecido aquando de eventos marcantes como o Ano Internacional da Física (2005), o Ano Internacional da Astronomia (2009) e o Ano Internacional da Cristalografia (2014), entre outros. A Gazeta da Física regista e saúda esta iniciativa, felicitando os CTT e os autores das ilustrações pela originalidade das mesmas.


A XXXIV edição das Olimpíadas de Física decorreu no dia 5 de maio de 2018 em cinco locais distintos (em simultâneo): os Departamentos de Física das Universidades do Porto e de Coimbra, o pólo do Instituto Superior Técnico no Taguspark, a Universidade dos Açores, em Ponta Delgada, e a Universidade da Madeira, no Funchal. Estiveram envolvidos nesta atividade 509 alunos do 9º ano, provenientes de 172 escolas diferentes, e 470 alunos do 11º ano, oriundos de 173 escolas. Recorde-se que, embora as provas sejam as mesmas para todas as delegações da SPF, as escolas participam nesta fase das olimpíadas deslocando-se à delegação da SPF a que estão associadas. Os alunos realizam duas provas, uma teórica e uma experimental, sendo a participação no escalão B feita a título individual, enquanto no escalão A os alunos concorrem em equipas com um máximo de três elementos.


A Olimpíada Internacional de Física decorreu em Lisboa, de 21 a 29 de julho de 2018, tendo participado na competição 396 estudantes do ensino secundário de 86 países.

Nesta competição os estudantes sujeitam-se a duas provas (uma experimental e uma teórica) que decorrem em dois dias diferentes e têm uma duração de 5 horas cada. A maioria dos temas abordados não consta dos programas oficiais do ensino secundário português, incluindo sobretudo assuntos que são abordados apenas no primeiro ano dos cursos universitários de Física e alguns tópicos que são abordados no segundo ano desses cursos.

Em 2018 esta olimpíada foi organizada pela Sociedade Portuguesa de Física, por delegação do Ministério da Educação.


A XXIII Olimpíada Ibero-americana de Física decorreu em Mayagüez, em Porto Rico, de 20 a 28 de outubro de 2018.

Participaram na competição 64 estudantes de 17 países do espaço ibero-americano.

A liderança da delegação portuguesa, de quatro estudantes, esteve a cargo de Rui Travasso e João Carlos Carvalho, da Universidade de Coimbra.

A delegação portuguesa obteve um ótimo resultado: três medalhas de prata e uma medalha de bronze.


 

      Provas

  •              Regionais: 4/5/2019

             Nacionais: 1/6/2019

 

 


3ª Conferência de Física da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (3ª CF-CPLP)

vai-se realizar em S. Tomé, de 30 de maio a 1 de junho de 2019

mais informações : https://eventos.spf.pt/3cfcplp

 


Porto, 8 – 10 maio,  2019

Faculdade de Ciências, Universidade do Porto.

Mais informações: https://eventos.spf.pt/cmpnc2019


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