Capa
Volume 38 / Fascículo 2
Dezembro 2015
Descarregar revista
No último ano, a comunidade científica em Portugal perdeu duas das suas figuras maiores, que ao longo das últimas décadas contribuíram – cada um à sua maneira – para trazer a ciência nacional para a idade adulta. Contemporâneos, colegas de curso e de departamento, Carlos Matos Ferreira e José Mariano Gago deixaram com a sua partida uma sensação de vazio. De terem partido quando ainda contávamos com a sua voz e o seu contributo.
O Carlos Renato de Almeida Matos Ferreira pertence a uma geração de académicos que marcou o desenvolvimento do ensino universitário e da investigação científica em Portugal. Licenciou-se em Engenharia Electrotécnica pelo IST em 1971, e doutorou-se em Física (com a classificação Très Honorable) pela Universidade de Paris XI – Orsay em 1976.
Muito se tem, mais do que merecidamente, escrito sobre o José Mariano Gago; sobre o seu contributo único na definição e execução das políticas científicas que criaram em Portugal, a partir do quase nada, uma comunidade científica dinâmica e internacionalmente competitiva. Recentemente, foi publicada por quem o acompanhou de perto uma obra extensa sobre esse percurso de dezenas de anos. O meu contributo será mais pessoal e “pré-histórico” (tomando como referência para o início da história pública a tomada de posse do José Mariano como presidente da JNICT, em Maio de 1986), testemunhando as pequenas, grandes, revoluções que, nesses anos, com a colaboração de outros “estrangeirados” como o Rui Vilela Mendes e o Jorge Dias de Deus, foi introduzindo no modo como se ensinava física, como se fazia divulgação científica, como se ligava Portugal ao mundo científico.
O mais antigo transmissor de rádio, ainda em funcionamento, encontra-se localizado em Grimeton, na Suécia. Este emissor foi construído em 1922 e era usado para emissões de telegrafia transatlântica nas primeiras décadas do séc. XX. É atualmente reconhecido como Património da Humanidade pela UNESCO e efetua emissões comemorativas regulares. Uma vez que utiliza uma frequência de 17,2 kHz, na banda de VLF, é possível utilizar um computador munido com uma placa de som para receber e ouvir as suas mensagens em código Morse.
Adivinhar quem vai ser laureado com o Prémio Nobel da Física é muito mais difícil do que adivinhar o resultado das eleições, processo para o qual há sondagens. O processo é conduzido no meio do maior segredo, sendo inquirida a comunidade dos físicos, com cartas dirigidas pela Academia de Estocolmo a investigadores de todo o mundo. Depois a Academia decide, só havendo acesso às actas décadas volvidas.
Neste trabalho propomos duas formas para medir o valor da velocidade do som no ar usando dois microfones, um computador e softwares livres. Os métodos apresentados são baratos e evitam alguns problemas práticos que, geralmente, aparecem quando se tenta fazer isto nas salas de aulas, tal como é proposto nos manuais escolares e no programa do 11.º ano.
Este trabalho surgiu no âmbito do “Clube Ciência em Ação”, um espaço onde os alunos do Colégio da Imaculada Conceição desenvolvem atividades extracurriculares na área das ciências, com principal ênfase na componente experimental. O trabalho que a seguir se apresenta – planificação e construção de um guindaste hidráulico – foi realizado pelos alunos João Pedro Carvalho, José Bernardo Santos, Barny Hughes, Ruben Silva e Tiago Neves, do 8º ano de escolaridade, e com ele participaram no concurso “As Novas Fronteiras da Engenharia”, promovido anualmente pela Ordem dos Engenheiros (Região Centro).
Que ciência se aprende na escola? Uma avaliação do grau de exigência no ensino básico em Portugal é um estudo coordenado por Margarida Afonso da E.S.E. de Castelo Branco e doutorada em didática das ciências pela Universidade de Lisboa, publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos. Trabalho com 90 páginas e 30 figuras, inclui várias caixas de texto, que por vezes o sobrecarregam, índice geral, índice de figuras e bibliografia.
A energia nuclear tem hoje má fama em Portugal como noutros sítios. Mas, na sequência da iniciativa Átomos para a Paz de Eisenhower, ela foi desde os anos 50 até aos anos 80 considerada em Portugal uma opção energética possível. Foi planeado e construído – de facto, continua hoje activo – um reactor nuclear em Sacavém. A decisão de construir a instituição que o enquadrou, o Laboratório de Física e Engenharia Nucleares (LFEN) foi tomada por Salazar em 1955 com base numa proposta da Junta de Energia Nuclear criada um ano antes. O início legal do Laboratório ocorreu em 1959, embora só em 1961 o reactor tenha entrado em funcionamento.
As Olimpíadas Internacionais de Física decorreram em Mumbai, Índia, de 5 a 12 de julho. Participaram nesta competição 382 estudantes finalistas do ensino secundário de 82 países. Esta Olimpíada, que vai já na XLVI edição, é uma competição anual onde jovens estudantes pré-universitários são convidados a demonstrar a sua preparação em Física em dois longos e difíceis exames (um teórico e um experimental). O nível de conhecimentos requeridos para realizar estas provas vai muito para além do programa do secundário de Física, envolvendo por parte dos estudantes imenso esforço e dedicação durante a fase de preparação.
As Olimpíadas Ibero-americanas de Física decorreram em Cochabamba, Bolívia, de 5 a 13 de setembro. Participaram nesta competição 69 estudantes finalistas do ensino secundário de 19 países do espaço ibero-americano.
Entrou em circulação no passado dia 14 de Outubro um novo selo dos CTT – Correios de Portugal para comemorar o Ano Internacional da Luz e das Tecnologias Baseadas na Luz – 2015. A Sociedade Portuguesa de Física participou directamente na elaboração deste edição especial, cuja pagela vem acompanhada de um texto da sua presidente, Prof.ª Teresa Peña,...
Desde Setembro que está a decorrer a fase de palestras do programa “Haja Luz nas Escolas”, programa lançado em Março deste ano e que decorrerá até final das comemorações do AIL 2015. Este projeto de âmbito nacional conta com um programa especial de atividades, dedicado às Escolas, professores e alunos do Ensino Básico e Secundário. O “Haja Luz nas Escolas” tem como principal objetivo envolver a comunidade escolar nacional nas comemorações do AIL e desta forma tornar clara a importância da luz na sociedade e nas várias áreas do ensino formal. Durante este projeto serão dinamizados vários tipos de atividades de modo a promover, junto dos alunos, o conhecimento sobre a luz e as tecnologias baseadas em luz, bem como possibilitar junto destes, a realização de trabalho laboratorial e o contacto com tecnologia atual, de forma a fomentar o saber fazer e o ensino experimental das ciências.
“Haja Luz: Diálogos à Volta da Luz” é uma conferência de um dia organizada conjuntamente pela Sociedade Portuguesa de Física e pela Fundação Calouste Gulbenkian, marcando as comemorações do Ano Internacional da Luz 2015 em Portugal. A conferência promove o encontro entre cientistas, engenheiros, professores, artistas, médicos, historiadores e outras pessoas ligadas à ciência, à tecnologia, à cultura e à arte. O principal objectivo é debater a luz, as suas aplicações, e o seu impacto cultural na vida moderna.

© 2016 Sociedade Portuguesa de Física