Um dos problemas fundamentais em aberto na Física é o de sabermos qual o tamanho máximo que um sistema pode ter para poder apresentar efeitos quânticos. A nível atómico e molecular, os processos quânticos são prevalecentes. No entanto, quando eles envolvem sistemas com um número muito grande de partículas, em escalas grandes comparados com a escala atómica, os efeitos da mecânica quântica tornam-se insignificantes. Por outro lado, fenómenos quânticos macroscópicos como a supercondutividade ou a superfluidez são conhecidos e têm sido bastante estudados.
Outros exemplos incluem o efeito Hall quântico, as junções Josephson ou a ordem topológica.
A Física por detrás do Prémio Nobel 2025 Há uma piada antiga entre físicos: “a mecânica quântica só é estranha porque nunca a vemos no dia a dia”. Durante muito tempo, esta ideia parecia separar dois mundos: o microscópico, governado por regras probabilísticas e contra-intuitivas, e o macroscópico, em que funciona a física clássica. O Prémio Nobel da Física de 2025 veio mostrar que essa fronteira é muito menos nítida do que se pensava.
John Clarke, Michel Devoret e John Martinis foram distinguidos “pela descoberta do efeito túnel quântico macroscópico e da quantização de energia num circuito elétrico”. Em termos simples, conseguiram observar efeitos tipicamente quânticos – efeito túnel e níveis de energia discretos – num circuito supercondutor com dimensões quase macroscópicas, mas que se comporta, do ponto de vista quântico, como um único sistema coerente.
Resumo
Hoje, 40 anos passados sobre a criação bem sucedida do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP), com investigadores portugueses envolvidos na maior parte das experiências em Física de Partículas, é difícil imaginar que a primeira tentativa de realizar investigação nesta área, usando os aceleradores e detetores do CERN, com a preparação das experiências em Lisboa, recolhas de dados no CERN e sua posterior análise de novo em Lisboa, reporta aos inícios dos anos 70 no então denominado Instituto de Física Nuclear e Física de Partículas (IFNFP). Este instituto pretendia ser um centro de investigação e de preparação de quadros qualificados neste domínio da física. O 25 de abril de 1974 aconteceu um ano após o seu início institucional e, como seria de prever devido à fragilidade da instituição, esta não resistiu às múltiplas questões colocadas à sua génese e pretensões, tendo sido extinto em 1976 e acabando o seu material por ser doado a outros centros, ação que só ficou completa no início dos anos 80.
Para fazer história da ciência, como alertava José Mariano Gago em 1999, é indispensável conhecer não só os casos de sucesso como aqueles que, por uma ou outra razão, não tiveram continuidade, embora o futuro viesse a mostrar que tinham por base uma visão correta.
1986 foi um ano chave para Portugal, marcado pela entrada na CEE e no CERN. Cinco anos antes, a comunidade portuguesa de física de altas energias traz a Lisboa a maior conferência internacional da área, e uma exposição intitulada “De que são feitas as coisas”, que marca uma geração de jovens interessados na ciência. É aí que se intensificam os contactos entre os principais protagonistas do acordo Portugal-CERN, onde se destacam Mariano Gago, que virá a ser mais tarde o primeiro Ministro da Ciência em Portugal, e o Diretor Geral do CERN à época, Herwig Schopper. O acordo formaliza a adesão de Portugal ao CERN com data oficial a 1 de janeiro de 1986, e prevê que o país pague uma quota equivalente a 1% do orçamento do CERN, investindo localmente a mesma quantia de forma a manter a massa crítica para uma participação efetiva nas suas atividades. É assim que é criada a 9 de maio, uma única instituição nacional que agrega os esforços antes dispersos em Coimbra e em Lisboa, o LIP – Laboratório de Instrumentação e FísicaExperimental de Partículas.
Resumo
Este artigo explora, de forma especulativa, mas fisicamente fundamentada, a possibilidade de uma forma de consciência emergir numa nuvem interestelar. A partir das propriedades físicas do meio interestelar – gás parcialmente ionizado, campos magnéticos, ondas MHD, gradientes químicos e dinâmicas de grande escala – discute-se como uma nuvem poderia perceber o seu ambiente, formar memória, integrar informação e comunicar. Em vez de uma mente antropomórfica, propõe-se uma consciência distribuída, lenta e cósmica, moldada pelos ritmos e forças que estruturam a Galáxia.
Introdução
Em 1957, o astrofísico Sir Fred Hoyle pôs de lado a sua investigação sobre o Universo para imaginar algo ainda mais desafiante: uma vasta nuvem interestelar consciente. O resultado foi o seu livro de ficção científica A Nuvem Negra [1], no qual essa entidade cósmica deriva pelo Sistema Solar, ameaçando a vida na Terra. Enquanto os cientistas lutam para a compreender e comunicar com ela, os líderes políticos mergulham no pânico.
A obra destacou-se na história da ficção científica por tratar a consciência como um problema de física, emergindo das dinâmicas complexas do meio interestelar. Mas, mais do que ficção, coloca uma questão que hoje ressoa: que formas poderá assumir a consciência se não estiver limitada pela bioquímica baseada no carbono e pelas arquiteturas neuronais?
Resumo
Neste artigo pretende-se divulgar os resultados da utilização de IA por parte de alunos do 3º ciclo do ensino básico. Para isso, após a utilização por parte dos jovens de programas de IA na sua aprendizagem, tendo por pano de fundo o estudo de catástrofes naturais (um trabalho de pesquisa usando IA), recorreu-se a um inquérito para captar as suas perceções sobre esta experiência educativa. Os resultados são positivos, especialmente a nível da motivação e facilitação da aprendizagem. Também se abrem novas perspetivas de trabalho para os jovens.
Inteligência Artificial em Educação: a experiência
Num artigo anterior [1], apresentaram-se alguns programas de IA que podem ser utilizados no trabalho com alunos do ensino básico e secundário. Neste, procura-se expor os resultados alcançados e pistas para futuros trabalhos após auscultar os alunos.
Introdução
No 11.º ano, na disciplina de Física e Química A, é lecionado o movimento circular uniforme, sendo estudadas grandezas como o período, a frequência, o módulo da velocidade angular, o módulo da velocidade linear e o módulo da aceleração centrípeta. Trata-se de um tema fundamental para a compreensão de movimentos circulares, que surge em múltiplas situações do quotidiano, como a rotação das rodas de uma bicicleta ou de um automóvel, o funcionamento de centrifugadoras, ventoinhas e máquinas de lavar. No caso das bicicletas, por exemplo, a medição da distância percorrida e da velocidade baseia-se na contagem do número de rotações da roda, ilustrando de forma clara a relação entre o movimento circular e a velocidade linear.
De acordo com a nossa experiência, a aprendizagem do movimento circular uniforme revela-se, frequentemente, de difícil compreensão para muitos alunos. Em particular, a distinção entre as diferentes grandezas envolvidas, a compreensão do carácter vetorial da velocidade e da aceleração, bem como a interpretação do papel da aceleração centrípeta num movimento com velocidade de módulo constante, constituem dificuldades recorrentes. Estas dificuldades são, muitas vezes, agravadas pela abordagem excessivamente abstrata do tema e pela escassez de atividades experimentais acessíveis em contexto de sala de aula.
As Universidades devem ter uma tripla missão: a investigação, o ensino e a divulgação de uma determinada disciplina. No caso do Centro Interuniversitário de História da Ciência e da Tecnologia, estas cruzam-se, sendo esta colecção o exemplo disso mesmo: o Centro e as Edições Colibri disponibilizam divulgação científica resultante da investigação fruto de dissertações de doutoramento.
Esta tese aborda o Instituto Nacional de Investigação Científica (INIC), instituição responsável pela investigação científica no nosso país entre 1976 e 1992. Tem como estrutura, além de uma «Introdução»: «Ciência no Portugal em Transição», «O INIC» (que corresponde ao núcleo do livro); «A extinção do INIC», «O INIC em Detalhe» e «Complementos para a História da Investigação Científica em Portugal», onde se aborda o mito da integração da Junta de Investigação Científica do Ultramar no INIC, a relação do INIC com o Observatório Astronómico de Lisboa e alguns aspectos da carreira de investigação em Portugal. O livro corresponde a uma continuidade com trabalhos de Augusto Fitas, por exemplo, «Da Junta de Educação nacional (JEN) ao IAC e JNICT» (2021) ou Quintino Lopes «A Europeização de Portugal Entre Guerras — A Junta de Educação Nacional e a Investigação Científica» (2017).
Há algo de profundamente simbólico numa (meia-)maratona. Não é apenas um teste de velocidade; é um compromisso prolongado com a resistência, com o ritmo, com a gestão do cansaço; uma coreografia entre corpo e vontade. É uma experiência eminentemente pessoal, que convoca a introspeção e o conhecimento do eu, e simultaneamente uma metáfora para a vida. Tudo isso é admiravelmente bem descrito no livro de Haruki Murakami “Auto retrato do Escritor enquanto corredor de Fundo - Um livro de memórias”, com a sensibilidade que lhe é reconhecida. É portanto uma experiência profundamente humana. Naturalmente, durante décadas, foi também um domínio exclusivamente humano. Mas agora, deixou de o ser.
Em 19 de Abril de 2026, em Pequim, um robô humanoide, apropriadamente chamado Lightning, completou uma meia maratona em 50 minutos e 26 segundos, batendo por largos minutos o recorde humano da meia maratona (de Jacob Kiplimo, de 57 minutos e 20 segundos, batido este ano, 2026, na meia maratona de Lisboa). O robô não tropeçou na primeira curva (embora tenha ido contra uma barreira ao longo da corrida), não se perdeu entre os corredores, não colapsou perante o absurdo de correr sem propósito biológico. Correu. E terminou.
Isaac Newton foi um dos cientistas mais importantes da História. Destacou-se em áreas como a Física, a Matemática e a Astronomia, deixando descobertas que mudaram a forma como entendemos o Universo. Na sua obra “Principia”, apresentou as leis do movimento, que explicam tanto a queda dos objetos na Terra como o movimento dos planetas em torno do Sol. A importância dessas leis é tão grande que ainda hoje são usadas para calcular trajetórias de foguetões e planear missões espaciais, como a Artemis II. Newton formulou também a Lei da Gravitação Universal, segundo a qual todos os corpos com massa se atraem. É essa lei que explica, por exemplo, por que razão os objetos caem quando os largamos e como a Lua se mantém em órbita da Terra.
Dois séculos mais tarde, Albert Einstein apresentou uma teoria que veio complementar e corrigir a teoria da gravitação de Isaac Newton. Segundo Einstein, os objetos com massa deformam o espaço-tempo à sua volta, e é essa deformação que determina o movimento dos corpos, em vez de uma força que atua à distância. Este processo pode ser observado na Fig. 2. Embora ambas as teorias expliquem muito bem o movimento dos planetas em torno do Sol, a teoria de Newton deixa de ser aplicável quando estudamos objetos extremamente densos, isto é, corpos com uma massa muito grande concentrada num volume muito pequeno.

A 25ª Conferência Nacional de Física e o 36º Encontro Ibérico para o Ensino da Física irão decorrer no Instituo de Educação da Universidade de Lisboa, de 9 a 12 de setembro de 2026. Esta conferência bienal, organizada pela Sociedade Portuguesa de Física, reúne toda a comunidade nacional de físicos, abrangendo docentes do Ensino Básico, Investigadores e Professores Universitários, alunos de doutoramento e alunos de mestrado, numa partilha do estado atual do conhecimento em Física nas suas diversas vertentes. O 36º Encontro Ibérico para o Ensino da Física será organizado em colaboração com a Real Sociedad Española de Fisica.
A FÍSICA 2026 terá sessões plenárias, sessões paralelas e pósteres, cobrindo as áreas de todas as suas Divisões Científicas:
Astronomia e Astrofísica, Divulgação e Educação, Física Aplicada à Engenharia e em Empresas, Física Atómica e Molecular, Física da Matéria Condensada, Física Médica, Física Nuclear, Física das Partículas, Física dos Plasmas, Geofísica, Oceanografia e Meteorologia, História da Física, Óptica e Lasers.
Para mais informações, consultar: https://fisica2026.sci-meet.net/
Realizou-se a fase regional das Olimpíadas de Física do Escalão A (9.º ano) e do Escalão B (secundário) no dia 21 de março de 2026.
As provas realizaram-se presencialmente em Coimbra, Covilhã, Faro, Funchal, Lisboa, Ponta Delgada, Porto e Vila Real.
Realizou-se no dia 27 de março no CNEMA - Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas em Santarém, o 2.º Fórum Nacional dos Clubes Ciência Viva. O Fórum reuniu estudantes, professores, investigadores e instituições de todo o país para celebrar projetos de ciência e inovação na escola, com apresentações, experiências práticas e partilha de trabalhos dos clubes. Ele serviu para mostrar projetos desenvolvidos ao longo do ano letivo, aproximar a comunidade educativa da ciência e reforçar a rede nacional de clubes escolares ligados à Ciência Viva. A Sociedade Portuguesa de Física (SPF) marcou presença com uma bancada dedicada às atividades que partilha com os clubes de ciência. Luís Afonso esteve presente na bancada, em representação da SPF.
A Sociedade Portuguesa de Física (SPF), em parceria com o Instituto de Sistemas e Robótica (ISR) do IST, esteve presente na 2.ª edição do AltoMinho Science Fest que se realizou em Arcos de Valdevez entre os dias 12 e 15 de março de 2026. O tema da 2.ª edição foi “Cérebro, Saúde e Bem-Estar”. O Alto Minho Science Fest é um festival de ciência, dedicado a aproximar a ciência da sociedade com palestras, workshops, mesas-redondas, exposições e mostras de ciência e tecnologia, sendo um dos maiores eventos de promoção da cultura científica no Norte do país.
No Science Fest, a linha de investigação apresentada pelo ISR tem como objetivo desenvolver ferramentas tecnológicas de apoio ao diagnóstico e acompanhamento de patologias psiquiátricas. A vertente da Teleconsulta, foco principal da apresentação no Science Fest, visa o desenvolvimento de uma plataforma avançada de telepsiquiatria com realidade aumentada, que permita aos profissionais de saúde mental aceder, em tempo real, a biomarcadores psicofisiológicos extraídos de dados audiovisuais recolhidos durante consultas remotas. Na vertente de Consulta presencial, estão a ser desenvolvidos protocolos de avaliação emocional e cognitiva baseados em tarefas de escrita com recurso a uma caneta instrumentada, capaz de registar padrões de movimento e quantificar indicadores de lentificação cognitiva e retardamento psicomotor associados à depressão e à fadiga.