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Volume 49 / Fascículo 1
Maio 2026
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Um dos problemas fundamentais em aberto na Física é o de sabermos qual o tamanho máximo que um sistema pode ter para poder apresentar efeitos quânticos. A nível atómico e molecular, os processos quânticos são prevalecentes. No entanto, quando eles envolvem sistemas com um número muito grande de partículas, em escalas grandes comparados com a escala atómica, os efeitos da mecânica quântica tornam-se insignificantes. Por outro lado, fenómenos quânticos macroscópicos como a supercondutividade ou a superfluidez são conhecidos e têm sido bastante estudados.
Outros exemplos incluem o efeito Hall quântico, as junções Josephson ou a ordem topológica.


A Física por detrás do Prémio Nobel 2025 Há uma piada antiga entre físicos: “a mecânica quântica só é estranha porque nunca a vemos no dia a dia”. Durante muito tempo, esta ideia parecia separar dois mundos: o microscópico, governado por regras probabilísticas e contra-intuitivas, e o macroscópico, em que funciona a física clássica. O Prémio Nobel da Física de 2025 veio mostrar que essa fronteira é muito menos nítida do que se pensava.
John Clarke, Michel Devoret e John Martinis foram distinguidos “pela descoberta do efeito túnel quântico macroscópico e da quantização de energia num circuito elétrico”. Em termos simples, conseguiram observar efeitos tipicamente quânticos – efeito túnel e níveis de energia discretos – num circuito supercondutor com dimensões quase macroscópicas, mas que se comporta, do ponto de vista quântico, como um único sistema coerente.


Resumo
Hoje, 40 anos passados sobre a criação bem sucedida do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP), com investigadores portugueses envolvidos na maior parte das experiências em Física de Partículas, é difícil imaginar que a primeira tentativa de realizar investigação nesta área, usando os aceleradores e detetores do CERN, com a preparação das experiências em Lisboa, recolhas de dados no CERN e sua posterior análise de novo em Lisboa, reporta aos inícios dos anos 70 no então denominado Instituto de Física Nuclear e Física de Partículas (IFNFP). Este instituto pretendia ser um centro de investigação e de preparação de quadros qualificados neste domínio da física. O 25 de abril de 1974 aconteceu um ano após o seu início institucional e, como seria de prever devido à fragilidade da instituição, esta não resistiu às múltiplas questões colocadas à sua génese e pretensões, tendo sido extinto em 1976 e acabando o seu material por ser doado a outros centros, ação que só ficou completa no início dos anos 80.
Para fazer história da ciência, como alertava José Mariano Gago em 1999, é indispensável conhecer não só os casos de sucesso como aqueles que, por uma ou outra razão, não tiveram continuidade, embora o futuro viesse a mostrar que tinham por base uma visão correta.


1986 foi um ano chave para Portugal, marcado pela entrada na CEE e no CERN. Cinco anos antes, a comunidade portuguesa de física de altas energias traz a Lisboa a maior conferência internacional da área, e uma exposição intitulada “De que são feitas as coisas”, que marca uma geração de jovens interessados na ciência. É aí que se intensificam os contactos entre os principais protagonistas do acordo Portugal-CERN, onde se destacam Mariano Gago, que virá a ser mais tarde o primeiro Ministro da Ciência em Portugal, e o Diretor Geral do CERN à época, Herwig Schopper. O acordo formaliza a adesão de Portugal ao CERN com data oficial a 1 de janeiro de 1986, e prevê que o país pague uma quota equivalente a 1% do orçamento do CERN, investindo localmente a mesma quantia de forma a manter a massa crítica para uma participação efetiva nas suas atividades. É assim que é criada a 9 de maio, uma única instituição nacional que agrega os esforços antes dispersos em Coimbra e em Lisboa, o LIP – Laboratório de Instrumentação e FísicaExperimental de Partículas.


Resumo
Este artigo explora, de forma especulativa, mas fisicamente fundamentada, a possibilidade de uma forma de consciência emergir numa nuvem interestelar. A partir das propriedades físicas do meio interestelar – gás parcialmente ionizado, campos magnéticos, ondas MHD, gradientes químicos e dinâmicas de grande escala – discute-se como uma nuvem poderia perceber o seu ambiente, formar memória, integrar informação e comunicar. Em vez de uma mente antropomórfica, propõe-se uma consciência distribuída, lenta e cósmica, moldada pelos ritmos e forças que estruturam a Galáxia.

Introdução
Em 1957, o astrofísico Sir Fred Hoyle pôs de lado a sua investigação sobre o Universo para imaginar algo ainda mais desafiante: uma vasta nuvem interestelar consciente. O resultado foi o seu livro de ficção científica A Nuvem Negra [1], no qual essa entidade cósmica deriva pelo Sistema Solar, ameaçando a vida na Terra. Enquanto os cientistas lutam para a compreender e comunicar com ela, os líderes políticos mergulham no pânico.
A obra destacou-se na história da ficção científica por tratar a consciência como um problema de física, emergindo das dinâmicas complexas do meio interestelar. Mas, mais do que ficção, coloca uma questão que hoje ressoa: que formas poderá assumir a consciência se não estiver limitada pela bioquímica baseada no carbono e pelas arquiteturas neuronais?


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