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Volume 41 / Fascículo 2
Julho 2018
Conteúdo restrito a subscritores

 

No momento em que começo a escrever este editorial encontro-me na Aula Magna da Universidade de Lisboa a participar na sessão de abertura das Olimpíadas Internacionais de Física, que em 2018 decorrem em Portugal. A sala está cheia e o ambiente é de alegria. Cada uma das delegações é apresentada e mostrada no ecrã principal para que todos se possam conhecer. Notam-se os sorrisos dos mais jovens e a antecipação das provas que aí vêm. Está tudo pronto para começar. As Olimpíadas Internacionais de Física ocorreram pela primeira vez na Polónia, em 1967, com 5 países e 15 alunos, tendo vindo a crescer de ano para ano. Em 2018, são organizadas pela Sociedade Portuguesa de Física e contam com a participação de 87 países e com cerca de 400 estudantes.


Buracos negros são deformações extremas do espaço-tempo, onde até mesmo a luz é aprisionada. Existe uma total evidência astrofísica para a existência real e abundante destas prisões de matéria e luz no Universo. Matematicamente, buracos negros são descritos como soluções das equações de campo da teoria da relatividade geral, tendo a primeira destas soluções sido publicada em 1916 por Karl Schwarzschild e outra solução de extrema relevância, representando um buraco negro em rotação, tendo sido encontrada por Roy Kerr em 1963. Mas a utilização do termo buraco negro para descrever estas entidades aparece somente meio século depois da solução de Schwarzschild. Quem o cunhou?
A sabedoria convencional atribui a paternidade do termo ao influente físico norte-americano John Wheeler que em 1968 imprimiu definitivamente esse nome num artigo de divulgação.
Este, contudo, é apenas um lado de uma história, que começa duzentos anos antes, numa prisão na Índia do Sec. XVIII.


Passaram 25 anos sobre a proposta oficial do grande acelerador de partículas do CERN [1,2], o Large Hadron Collider ou LHC. Foram 25 anos de investigação de ponta em física de partículas no CERN e também em Portugal.
Numa manhã gelada de março de 1992, iniciava-se uma conferência na pequena cidade francesa de Évian, nas margens do lago Léman, famosa apenas pela sua água termal.
Na verdade não sei, não estava lá, mas imagino assim aquela manhã de março, um mês de frio intenso, naquele largo vale glaciar entre as montanhas dos Jura e o início dos Alpes Suíços. A conferência saiu da organização conjunta do Laboratório Europeu de Física de Partículas, o CERN, e da Comissão Europeia para Futuros Aceleradores, ECFA. O principal objectivo era a discussão das experiências a planear para o grande colisionador de protões, cujo futuro ainda longínquo se começava a definir. O LHC era até recentemente apenas o projeto de uma máquina fabulosa, que permitiria explorar a o mundo subatómico muito para além das fronteiras da altura.
Mas as dificuldades eram estonteantes: não existiam ímanes capazes de domar feixes de protões com as energias pretendidas, nem detectores de partículas capazes de funcionar com a taxa de colisões esperada, e os custos previstos eram enormes.


 

Num extenso estudo realizado sobre as Olimpíadas de Física em Portugal, baseado em questionários aplicados nas várias fases da competição entre 2011 e 2015, aos quais responderam 2685 alunos e 584 professores, investigou-se o potencial das Olimpíadas de Física, não só para divulgação da Física e captação de jovens talentos para esta ciência, mas também para sinalizar problemas no ensino e na aprendizagem da Física, com foco na componente experimental. 
Apresentam-se neste trabalho alguns resultados da análise das respostas a estes questionários, que apontam para algumas fragilidades no ensino experimental da Física nas escolas portuguesas.


Construiu-se uma montagem e desenvolveu-se um protocolo, para a determinação do valor da aceleração gravítica terrestre, a partir do aumento de velocidade de um corpo em queda livre vertical [1,2], que permite obter resultados consistentes, reprodutíveis e com uma ótima exatidão. Esta montagem soluciona os problemas dos erros experimentais habitualmente existentes nas montagens mais utilizadas.
A montagem e o protocolo foram testados ao longo de dois anos letivos, com 10 turmas de 11º ano, do curso de Ciências e Tecnologias do Ensino Secundário, num total de 74 grupos de trabalho, envolvendo 252 alunos e 10 professores.
Os alunos manusearam facilmente o equipamento e sensibilizaram-se para a necessidade de procedimentos preparatórios, de modo a minimizar os erros experimentais. A rapidez do procedimento experimental pelos alunos – alinhamentos da montagem e aquisição de dados – permitiu a recolha de uma quantidade de medições maior do que é usual em aulas experimentais. Tal aumentou a precisão e a exatidão do valor de g obtido e permitiu mais tempo para a discussão final do trabalho.


Na segunda guerra mundial os britânicos aperfeiçoaram o desenvolvimento do radar para defenderem as suas ilhas da invasão Nazi. Consideráveis recursos foram usados para este propósito. Um dos homens envolvido foi Martin Ryle, à data de 1939 um jovem licenciado em física que tinha como hobby o rádio amadorismo. Depois da guerra, Ryle, agastado pelo desperdício a que o esforço bélico conduz, decidiu devotar-se inteiramente à ciência pura. A sua formação levou-o a desenvolver a área da rádio astronomia na Universidade de Cambridge, criando, nas décadas seguintes, um grupo de investigação com instrumentos e técnicas cada vez mais sofisticadas para observar o Universo na banda electromagnética do rádio. Curiosamente, nos primeiros anos do pós-guerra, em virtude dos parcos recursos disponíveis, o equipamento desenvolvido usou abundantemente os despojos de guerra tecnológicos trazidos da Alemanha Nazi, por exemplo cabo coaxial de excelente qualidade.


O efeito de Magnus Possivelmente observaste que o terceiro golo que o Ronaldo marcou no jogo do mundial contra Espanha foi um pouco estranho. A bola parecia enfeitiçada. O que realmente se passou com a bola?
A física explica facilmente este efeito, e é frequente ser aplicado em jogos de bola como o futebol, o ténis, o ping pong ou o bilhar. Vamos realizar uma série de experiências que te vão ajudar a perceber como funciona o golo estranho. Para isso vais também descobrir algumas propriedades do ar, em particular, do ar em  movimento.


 

Em 2018 a EPS - Sociedade Europeia de Física está a fazer 50 anos.

Nesse âmbito, a cerimónia oficial de comemoração do 50º aniversário será realizada no dia 28 de setembro, na Universidade de Genebra, na Suíça.

Para mais informações sobre o evento consultar www.eps50.org.


Os relógios que usam a frequência da rede eléctrica para contar o tempo (como, por exemplo, os típicos relógios-radios de mesa-de-cabeceira ou os fornos de microondas) atrasaram cerca de 6 minutos desde Janeiro deste ano. Este atraso deve-se a um ligeiro desvio desta frequência, que entretanto terá sido corrigido.


No passado dia 1 de junho (Dia da Criança), o Planetário – Casa da Ciência de Braga realizou o lançamento de um balão para a estratosfera, o qual atingiu altitudes próximas dos 30 000 m.
Além de diversos sensores e câmaras para captação de imagem, a bordo foram transportadas centenas de mensagens de saudação, elaboradas pelos alunos das escolas primárias que visitaram o Planetário – Casa da Ciência de
Braga (PCCB, http://www.casacienciabraga.org/) neste dia, as quais foram recuperadas depois de uma viagem fantástica e devolvidas aos seus autores.
Nos vários meses que antecederam este lançamento, além dos pormenores relativos à logística e tecnologia utilizada, foi necessário obter autorizações das autoridades (Força Aérea Portuguesa e Agência Nacional de Aviação Civil).
O balão foi seguido no solo por uma equipa do PCCB (www.casacienciabraga.org) e do projeto BALUA (http://balua.org/) e após o rebentamento (próximo do limite superior da estratosfera) foi recuperado nas vizinhanças de Barcelos
(após o balão ter sobrevoado Guimarães, Póvoa do Lanhoso, Barcelos, Apúlia, o atlântico e aterrando em Barcelos, dadas as fortes correntes de ar que se fizeram sentir).


 

 

 

 

FÍSICA2018 – 21ª Conferência Nacional de Física e 28º Encontro Ibérico para o Ensino da Física, realiza-se na Universidade da Beira Interior, na Faculdade de Ciências da Saúde de 29 de agosto a 1 de setembro de 2018.

 

Comemoram-se 40 anos desde a realização da 1ª Conferência Nacional de Física realizada na Fundação Calouste Gulbenkian em fevereiro de 1978.

 

A FÍSICA2018 consta de 7 sessões plenárias, várias sessões paralelas (8 a 12), oficinas, minicurso e uma Mesa Redonda  aberta à população "O impacto da Física Nuclear na vida do dia a dia".

 

Na FÍSICA2018 daremos relevo em duas Plenárias aos temas dos prémios Nobel da Física de 2016 e 2017.

 

  • transição da matéria para estados exóticos
  • ondas gravitacionais

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