Capa
Volume 40 / Fascículo 1
Março 2017
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Esta edição da Gazeta de Física inicia-se com um artigo de grande qualidade que nos dá muito gosto publicar. Nele, Francisco Malta Romeiras aborda o importante papel impulsionador que desempenharam os colégios dos jesuítas para o ensino e divulgação da física em Portugal, num período que abarca a segunda metade do séc. XIX e que termina abruptamente com a implantação da República e a subsequente expulsão daquela Ordem do nosso país. A imagem que escolhemos para a capa ilustra uma das principais características da formação ministrada nesses colégios: uma forte promoção do ensino experimental das ciências naturais, assente na prática, em equipamentos actualizados e na criação de espaços físicos – gabinetes, museus,observatórios – dedicados a esse ensino.


Fundados na segunda metade do século XIX, os colégios de Campolide (Lisboa, 1858-1910) e de São Fiel (1863-1910) foram particularmente relevantes no ensino e divulgação da física em Portugal até 1910. Neste artigo, serão apresentadas e discutidas brevemente as principais actividades dos jesuítas portugueses relacionadas com o ensino e prática da física neste período, como a criação de gabinetes de física, a realização de expedições com os alunos para observação de eclipses, a instituição de observatórios astronómicos e meteorológicos, a organização de demonstrações públicas e a realização de experiências originais sobre a radioactividade de águas minerais portuguesas.


Arthur B. McDonald, Prémio Nobel da Física em 2015 pela “descoberta das oscilações de neutrinos que mostram que os neutrinos têm massa”, esteve em Portugal no passado mês de Setembro a convite do LIP - Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de partículas e da Sociedade Portuguesa de Física.

O físico canadiano, professor na Universidade Queen’s, foi responsável pela experiência SNO (Sudbury Neutrino Observatory), cujo detetor de neutrinos se encontra a 2 km de profundidade no Canadá, e em que participaram desde 2005 investigadores portugueses do LIP.


 


O coeficiente de expansão adiabática é determinado tradicionalmente por processos de difícil execução, morosos e com um elevado erro experimental. Com a utilização dum computador (equipado com placa de som) ou um dispositivo móvel e uma simples seringa de vidro, demonstraremos que o método de Ruchhardt adapta-se particularmente bem à determinação da razão entre a capacidade térmica1 a pressão constante e capacidade térmica a volume constante dum gás, ou seja, a constante de expansão adiabática do gás. Este método revela-se bastante preciso quando comparado com outros, embora tenha uma elevada sensibilidade ao período das oscilações e do raio da seringa, pelo que dever-se-á atender à sua medida com precisão2 suficiente.


A utilização de calculadoras gráficas é recomendada e incentivada no programa de Física e Química A. No entanto, um despacho da Direcção Geral de Educação proíbe o seu uso para o exame de 2017. Consideramos esta decisão polémica e apresentamos argumentos a rebatê-la.
A presente reflexão tem por base as instruções relativamente ao uso de calculadoras no exame de Física e Química A (FQ_A), para o ano de 2017 (ofício-circular SDGE/2016/3793 da Direção Geral de Educação, DGE), a posição assumida pelos professores de FQ_A da Escola
Secundária de Camões e responde ainda a argumentos apresentados pela Sociedade Portuguesa de Física (SPF) em resposta à posição assumida por alguns professores da Escola Secundária José Gomes Ferreira (ESJGF).


A Petição Nº 202/XIII/2 – “Solicita intervenção com vista à aprovação do uso de calculadora gráfica em exame do ensino secundário” está em apreciação na Assembleia da República, tendo sido solicitados pareceres a diversas entidades.1 Em resposta a esse pedido, no passado dia 10 de Janeiro de 2017 as sociedades portuguesas de Física (SPF), Matemática (SPM) e Química (SPQ) endereçaram ao presidente da Comissão Parlamentar de Educação e Ciência, Prof. Doutor Alexandre Quintanilha, um parecer conjunto que aqui transcrevemos.


No passado ano letivo 2015/2016, a Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) ganhou um novo núcleo de estudantes, o Núcleo de Estudantes de Física, Engenharia Física e Astronomia. Seguindo as pisadas de outras faculdades e Universidades, os estudantes do Departamento de Física e Astronomia (DFA) da FCUP sentiram a necessidade da existência de um órgão independente que os representasse perante professores, colegas, a universidade, o país e até internacionalmente; que promovesse a comunicação entre os diversos estudantes do DFA; que organizasse eventos que contribuíssem para a formação e lazer dos estudantes; que divulgasse diversas informações como eventos nacionais e internacionais; e que levasse a física além das fronteiras das universidades.


Os jesuítas, que protagonizaram, nos séculos XVI e XVII, o primeiro processo de globalização, sempre se destacaram na educação e na ciência. O padre alemão Cristophorus Clavius foi aluno do Colégio das Artes, anexo à Universidade de Coimbra, antes de se tornar o maior astrónomo da época entre Copérnico e Galileu. Entre outras obras, deixou-nos uma tradução latina profusamente comentada de Os Elementos de Euclides. O padre italiano Matteo Ricci, um discípulo de Clavius que estudou português em Coimbra antes de partir para a China, onde se notabilizou como grande transmissor da ciência moderna: foi ele que traduziu para mandarim não só Os Elementos mas também algumas obras matemáticas de Clavius. O padre português João Rodrigues escreveu do Oriente aos seus superiores em Roma: “Mandem-nos livros de matemática em grande quantidade.” E o padre português Cristóvão Ferreira, que é uma das figuras historicamente verídicas do mais recente filme de Martin Scorsese Silêncio, que descreve a sanguinária perseguição aos cristãos no Japão no século XVII, tinha bons conhecimentos científicos, tendo escrito após a sua apostasia tratados de astronomia e de medicina que descrevem a ciência ocidental.


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