Capa
Volume 40 / Fascículo 3/4
Janeiro 2018
Conteúdo restrito a subscritores

Para a capa desta edição especial da Gazeta de Física, optámos por uma imagem fortemente contrastante: o recorte do globo terrestre em grande plano, enfatizando os continentes, os oceanos e a atmosfera em diálogo dinâmico. A estes se somam
os diversos campos que actuam sobre o nosso planeta, e deste conjunto é formada a vasta área da Física da Terra, à qual é integralmente dedicada esta edição.


É um tema particularmente relevante para o nosso presente e futuro. A evolução das alterações climáticas ao longo deste século e todos os fenómenos associados – o impacto na saúde, na biodiversidade, nas migrações e no conflito por recursos – são das maiores ameaças à qualidade e sustentabilidade da vida terreste. Numa era em que somos constantemente inundados de “informação” inútil e efémera e que misturamos prioridades com entretenimento, é urgente reflectir sobre aquilo de que realmente se trata: é aqui, é a nossa casa, somos nós.


Foi a partir de finais do século XIX que se começou a equacionar a possibilidade de a humanidade poder alterar o clima em consequência da emissão para a atmosfera de grandes quantidades de dióxido de carbono, por via das
crescentes atividades industrial e de transportes (Somerville e Hassol, 2011). Desde os finais do século XX que a comunidade científica sabe, sem grandes margens para dúvidas, que a resposta a essa questão é afirmativa (Stocker et al., 2013). Em 1896, Svante Arrhenius, futuro Prémio Nobel da Química em 1903, calculou que uma duplicação da concentração de CO2 (em torno de 300 ppm à época) se poderia traduzir num aumento da temperatura média em cerca de 6 ºC.


O funcionamento dos ecossistemas marinhos e dos ciclos biogeoquímicos que os governam é fundamentalmente controlado pelos processos físicos que ocorrem no oceano.
Por isso, o conhecimento da física destes processos constitui a base para a construção de todas as outras ciências que estudam o oceano e a vida que nele habita. Em qualquer curso de Oceanografia ou de Ciências do Mar, a oceanografia física é ensinada antes da oceanografia química, geológica e biológica. Num contexto de mudança climática, são as alterações que se verificarem nas propriedades e processos físicos do oceano que irão  condicionar a resposta de todos os outros componentes do sistema.


Estações sísmicas em todo o mundo registam permanentemente uma vibração de fundo que resulta do acoplamento de energia entre os oceanos e a Terra sólida – o ruído microssísmico. Apesar deste ruído ser bem conhecido desde o início do século XX, foi apenas no início deste século que a qualidade e densidade de observações sísmicas permitiu o desenvolvimento de técnicas que utilizam eficientemente esta energia para observar tempestades oceânicas, mapear o interior da Terra e – algo que até aqui nunca tinha sido possível – mapear a evolução no tempo, à escala humana, da estrutura interior do nosso planeta.


A região de Lisboa e Vale Inferior do Tejo foi afetada por vários sismos destrutivos que provocaram grandes prejuízos materiais e perdas de vida. As fontes geradoras desses sismos históricos situam-se quer na zona de fronteira de placas Ibéria-África, localizada cerca de 300 km a sul, quer no interior da própria região.
Neste artigo, estuda-se uma falha geológica local, a falha de Vila Franca de Xira, que se julga ter ocasionado o terramoto de Lisboa de 1531. Apesar da ausência de evidência geológica direta para a presença duma rotura superficial da falha, demonstra-se através da utilização de métodos geofísicos que se trata de uma zona de falha ativa, sendo possivelmente a fonte de geração daquele sismo.


Os métodos de prospeção geofísica, pela sua natureza não invasiva, têm tido uma utilização crescente na investigação do subsolo, especialmente nas áreas da geotecnia, do ambiente e da arqueologia. O artigo que se apresenta aborda um dos métodos mais utilizados: o método da resistividade elétrica. A partir de uma sumária introdução teórica, apresentam-se casos de aplicação a diferentes objetivos de investigação.


No presente trabalho, mostra-se como estudos relativos a diferentes propriedades físicas da Terra conduziram a resultados que, devidamente interpretados e relacionados, permitiram obter informações sobre fenómenos que, tradicionalmente, são estudados em disciplinas diferentes. Concretamente, a relação feita refere-se à deriva dos polos magnéticos, análise de alterações de anomalias gravíticas, deslocação do centro de massa e do eixo de rotação da Terra, possíveis alterações climáticas e variações do nível do mar
em algumas regiões do planeta. Estes resultados vêm mostrar que, apesar dos níveis elevados de especialização, é imprescindível fazer a ligação entre resultados obtidos por diversos métodos
e propriedades estudadas.


A Sismologia é um domínio das Ciências da Terra que se presta de forma natural à multidisciplinaridade.

A localização de epicentros é um tema abordado na Geologia. Para esse efeito, são usadas ondas e é necessário conhecer a sua velocidade de propagação nos meios materiais, temas estudados em Física. Nos oceanos onde vivem mamíferos marinhos, muitos deles em perigo ou mesmo em vias de extinção, são usados métodos acústicos passivos para a sua monitorização, uma atividade da Biologia. Neste artigo, apresentamos um dispositivo experimental simples, que pode ser realizado em laboratório, para estudar a localização de fontes sonoras.

Ele replica um procedimento que é usado em Biologia Marinha, sendo a localização da fonte obtida pela interseção de hipérboles que podem ser desenhadas com recurso a  uma régua e um cordel.


Podemos afirmar que o conhecimento e descrição da estrutura sólida da Terra é a finalidade última da Geofísica Interna.


Aplicando métodos físicos, é possível aceder ao interior da Terra de uma forma remota e indirecta, o que genericamente apelidamos de Prospecção Geofísica. O método Transiente é um dos métodos que faz uso dos campos electromagnéticos (EM) para obter informação sobre o subsolo.


O Campus Solar é um laboratório de teste de soluções de energia solar localizado nas instalações da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL). Mas é muito mais que isso! É também um espaço de investigação, aprendizagem e comunicação de ciência e tecnologias limpas e renováveis para um futuro melhor.

Um pequeno descampado até 2009, o Campus Solar acolhe um conjunto diverso de protótipos tecnológicos, desenvolvidos por empresas, investigadores e estudantes de Ciências. É também um laboratório para apoio a cadeiras de Engenharia da Energia e do Ambiente e o cartão-de-visita da escola, a primeira coisa que se vê quando se visita Ciências.


O sentido e direção do campo magnético são conceitos quase intuitivos para todos, graças à utilização da bússola. Já a sua medida, com a determinação dum valor nem que seja aproximado, exige equipamento caro e cujo funcionamento é incompreensível para os alunos. Neste artigo, propomos uma experiência simples com material corrente que permite determinar o valor da componente horizontal do campo magnético terrestre com uma precisão razoável, usando uma simples bússola e uma bobina de Helmholtz artesanal.


Há muitas questões com as quais o professor de Física se depara, quando pretende programar as suas aulas, de um modo que seja mais adequado à aprendizagem dos seus alunos:

O que é a Física? Como se aprende Física? Como se deve ensinar? Devem ensinar-se conceitos de Física logo no 1.º ciclo de escolaridade? Quais? Como? Com que objetivo? Quem os deve ensinar?


No ano de 2017 comemoraram-se os 60 anos de um evento muito marcante da história da física:

      o Ano Geofísico Internacional, que se realizou entre 1 de Julho de 1957 e 31 de Dezembro de 1958.

Contrariando o clima da guerra fria, 67 países, incluindo Portugal, uniram esforços para realizar uma série de projectos destinados a conhecer melhor o nosso globo em várias áreas: auroras polares, cartografia de precisão, física da ionosfera, geomagnetismo, gravidade, meteorologia, oceanografia, raios cósmicos, sismologia e actividade solar.


Certamente já ouviste falar de ciclones, furacões ou tufões.

São todos nomes dados ao mesmo fenómeno. Os furacões formam-se sobre os oceanos em regiões de água quente e são constituídos por ventos muitos fortes que giram em torno do centro do furacão, conhecido por olho do furacão. Carregam grandes quantidades de água, podendo ter um diâmetro entre 200 km e 2000 km e durar vários dias. É o movimento de rotação da Terra que põe estas grandes quantidades de ar em rotação. Um tornado é um fenómeno diferente, que também envolve a rotação de ar a velocidades muito grandes, podendo atingir 500 km por hora.

Têm, no entanto, dimensões muito menores - o diâmetro geralmente não ultrapassa 2 km - e uma duração curta de apenas alguns minutos.


  • A Ciência e os Seus Inimigos (Carlos Fiolhais e David Marçal)
  • Astrofísica para Gente com Pressa: Uma Viagem Rápida ao Cosmos (Neil de Grasse Tyson)
  • Para o Infinito: Horizontes da Ciência (Martin Rees)
  • Um Universo Vindo do Nada: Porque há algo em vez de nada? (Lawrence M. Krauss)
  • Mecânica Quântica (2.ª Edição) (Pedro Bicudo, Pedro D. Sacramento, Marco Cardoso, Marta M. Correia, Samuel F. Martins, Ricardo Monteiro, Miguel F. Paulos, João Gomes Rosa, e Jorge E. Santos)
  • Ondas e Meios Contínuos (2.ª Edição) (José Machado da Silva, José Monteiro Moreira e José Brochado de Oliveira)


A 29.ª Assembleia Geral da União Internacional de Física Pura e Aplicada (IUPAP) decorreu em São Paulo, Brasil, de 11 a 13 de Outubro.

Na reunião, as investigadoras Elvira Fortunato (Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa) e Isabel Godinho (Dep. Metrologia, Instituto Português da Qualidade) foram eleitas para as comissões, C8- Semicondutores e C2- Símbolos, Unidades,Nomenclatura, Massas Atómicas e  Constantes fundamentais.


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