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Volume 43 / Fascículo 2
Novembro 2020
Conteúdo restrito a subscritores

Desde tempos imemoriais que a humanidade se tem debatido com a exposição a doenças infeciosas e o passado está repleto de epidemias graves que, por vezes, mudaram o curso da história. Com a evolução
do conhecimento científico e melhor compreensão da origem, desenvolvimento e propagação das doenças, foram sendo desenvolvidas novas estratégias de prevenção e tratamento, que tanto têm contribuído para a melhoria da saúde pública.
A natureza, no entanto, é dinâmica e promove desafios constantes. O ano de 2020 fica marcado pela pandemia provocada pelo vírus SARS-CoV-2, que origina a doença COVID-19. Este novo vírus e a sua capacidade de se propagar facilmente na população têm provocado um impacto substancial nas nossas vidas e a ciência não é estranha a esse fenómeno.
De um momento para o outro, tivemos que fechar laboratórios e salas de aula, limitar acessos e passar para o trabalho remoto. Aqui, neste número da Gazeta, refletimos sobre a propagação deste novo coronavírus e sobre o seu impacto no ensino e na investigação. Debatemos, também, algumas propostas que a ciência e a tecnologia podem oferecer para o combater.


Muito se falou, nestes tempos impensáveis, de “modelos matemáticos” para a COVID.

Esses modelos não são mais do que sistemas de equações diferenciais (ou às diferenças) para modelar a dinâmica da epidemia.
O modelo fundamental para o estudo da dinâmica de doenças infecciosas foi formulado em 1927 por Kermack e McKendrick. Conhecido como modelo SIR (Susceptíveis-Infectados-Removidos), está na base de todos os modelos mais sofisticados para doenças específicas, chamados modelos de compartimentos. Embora seja neste contexto um toy model, é muito instrutivo descrevê-lo.


Um extenso grupo de voluntários de diversas instituições, enquadrados no Project OpenAir, procuraram nos meses de Março e Abril de 2020 conceber um ventilador simples e seguro que permitisse acudir em
última instância às necessidades do pico da pandemia em Portugal. O dispositivo esteve disponível para replicação a partir de meados de Abril, coincidentemente com o pico da pandemia.
Foram centrais no seu desenho os constrangimentos logísticos que se viviam na época, ditando sobretudo a escolha de componentes comuns, que existissem já no País em quantidade, e métodos de fabrico
simples, facilmente massificáveis. Esta abordagem permite-nos imaginar que o conceito (open-source) possa ser útil e implementável localmente em regiões do Mundo com menores recursos e/ou dificuldades
logísticas acentuadas.


O fundo de radiação ambiente tem duas componentes predominantes, com origens distintas: a terrestre e a cósmica. Há ainda uma terceira componente, com origem humana, significativa apenas em alguns locais específicos do planeta: a radiação proveniente de reatores ou explosões nucleares [1].
A radioactividade terrestre tem origem nos radionuclídeos presentes no solo e nas estruturas dos edifícios. Estes radionuclídeos são produzidos nas cadeias de decaimento dos elementos pesados que, por sua vez, foram produzidos em processos de nucleossíntese estelar há mais de 4500 milhões de anos e integraram a nébula solar. Há quatro cadeias de decaimento radioactivo: as séries do tório, do neptúnio, do urânio e do actínio. Um exemplo conhecido é o radão, que é produzido na série do urânio e escapa dos seus locais de produção para a atmosfera, formando um gás.


Nota: este artigo foi publicado na Revista Española de Física 34 (2), 18 (2020) e traduzido com a ajuda do Dr. José Marques. 

Resumo

Enquanto investigadores estamos sujeitos a vieses cognitivos significativos e, devido à natureza da nossa profissão, esses preconceitos podem ser especialmente perigosos para a qualidade e o rigor do nosso trabalho. Quais são esses vieses e quão sérios podem ser se não lhes prestarmos atenção? Por que nos afetam e como podemos evitá-los?


Uma parte muito significativa do tempo dos professores é ocupada por tarefas relacionadas com a avaliação. Apesar da diversidade de meios e instrumentos, o teste ou questionário continua a ser uma componente essencial do processo de avaliação. Mas que confiança temos na nota que atribuímos ao resultado do teste de um estudante? Será uma medida fiável das suas competências e conhecimentos? Ainda que tenhamos elaborado o teste com cuidado e sentido crítico, não seria útil dispor de critérios que nos permitissem aferir a qualidade e utilidade das perguntas?
Este artigo tem como objetivo divulgar um processo de análise de testes, desenvolvido no contexto das Ciências Sociais - a Teoria Clássica dos Testes - que pode ser aplicado com vantagem ao contexto educativo. A análise clássica de um teste é feita à posteriori, com base nos resultados obtidos pelos estudantes e aborda quer a questão da fiabilidade global do teste quer a da qualidade e utilidade de cada uma das questões (itens). Pode, pois, constituir um complemento ao processo de elaboração de um teste e promover a melhoria contínua da qualidade da avaliação.


No âmbito da Formação Contínua de Professores, no projeto GoStem, organizada pelo Instituto de Educação, foi organizada uma atividade intitulada “Pêndulo Gravítico”, para ser desenvolvida pelas três turmas de 12º ano de Física da Escola Secundária Sebastião e Silva em Oeiras. 


A sua realização pelas turmas estava prevista para o 2º período. É então que, no dia 13 de março, é decretado o confinamento obrigatório, colocando-se um enorme desafio: Como continuar com esta atividade?
Vamos fazê-la à distância!


O projeto “Pêndulo Gravítico” envolveu os 65 alunos do 12º ano da Escola, organizados em equipas de 4. Começaram a trabalhar ainda no final do 2º período via Zoom, webex e outras plataformas.


Nelson Dias tem desempenhado funções na gestão de projetos e serviços para a comunidade académica e científica nacional, na FCCN - Computação Cientifica Nacional, nas áreas de e-learning, audiovisual e multimédia. Atualmente é gestor dos serviços de vídeo, onde é responsável pelo suporte e desenvolvimento de ferramentas e serviços avançados de comunicação e colaboração dirigidos para a comunidade académica nacional, onde se destacam o Colibri, Educast, Videocast e Estúdio de Vídeo. Tendo em conta os desenvolvimentos recentes na necessidade de utilização de recursos online para suporte ao ensino e investigação, a Gazeta aproveitou para lhe fazer uma entrevista e conhecer por dentro os serviços da FCCN.


Tiago Rebelo é diretor do projeto ventilador COVID Atena, no Centro de Engenharia e Desenvolvimento - CEIIA. O ventilador COVID Atena recebeu o Prémio de Criatividade Tecnológica, da Sociedade Portuguesa de Autores, ganho pela CEIIA e pela Universidade do Minho, em 15 de julho, por realizarem “o feito notável e único de, em apenas 45 dias, desenvolver, produzir e testar um ventilador pulmonar com o intuito de salvar vidas a nível global – o ventilador Atena, que atualmente já está a ser exportado”.


A pandemia Covid-19 e o consequente confinamento exigiram uma mudança para o ensino online e para o tele-trabalho na primavera e verão de 2020. É importante refletir sobre os desafios que este tipo de soluções criam para todos os intervenientes.
1) Em Abril deste ano, no auge do confinamento em muitos países devido à pandemia Covid-19, a Diretora Geral da UNESCO Audrey Azoulay observa que “o ensino online não pode ser a única solução, dado que exacerba as já existentes desigualdades que são parcialmente equilibradas no ambiente escolar.”
2) É amplamente reconhecido que o acesso à educação é a mais importante fonte de oportunidades. A educação, entendida como o angariar de conhecimentos, competências (técnicas, mas também sociais) e qualificações, permite ultrapassar o teto primário, que é estabelecido pelo ambiente socio-cultural em que se nasce. Fornece um elevador social alicerçado na rede de contactos que as escolas criam. Por isso, as sociedades mais justas são aquelas em que o acesso à melhor educação é mais transversal, potenciando o mérito e as qualidades do indivíduo.


Crescimento exponencial

A física é uma ciência que tem como objetivo explicar o Universo onde vivemos. Para conseguir essa tarefa tão complexa os físicos usam vários instrumentos, como telescópios para observar o Universo, e
microscópios e aceleradores para olhar para o infinitamente pequeno. Mas para conseguirem interpretar o que observam utilizam outras ciências como a matemática e as ciências de computação. Vamos ver
como a matemática nos pode ajudar a interpretar o que vemos e a prever o que se vai passar.
Nestes últimos meses temos passado por um período complicado devido ao modo como a a COVID-19 se espalhou por todos os países do mundo. Em Portugal, tivemos de ficar confinados em casa até ao início de Maio e mesmo depois continuámos a ter aulas à distância ou a trabalhar remotamente usando os meios informáticos. E porquê?


Hergé, nome artístico de Georges Remi (1907-1983) criou uma obra em banda desenhada que foi traduzida em mais de 40 línguas e continua a fascinar os novos leitores. O sucesso dos seus 27 álbuns, segundo o autor, deve-se ao facto de se destinarem a “todos os jovens dos sete aos setenta e sete” anos. As personagens principais nas suas aventuras são o jovem repórter Tintim e o seu inseparável cão Milu. Neste artigo, vamos apresentar algumas passagens dos seus álbuns com uns breves comentários às suas múltiplas referências à ciência e tecnologia. Os leitores mais interessados podem ler a obra completa que se encontra publicada em Portugal.


Nas suas aventuras, aparece com frequência o professor Girassol e essa imagem é atualmente uma imagem estereotipada do que são os cientistas. O sábio é homem, usa óculos, “anda sempre na Lua”, o seu laboratório é em casa e é um inventor de múltiplas engenhocas. Ele inventa foguetões espaciais, motores nucleares, patins a motor, submarinos, máquinas de escovar roupa, armas de ultra-sons, etc. A figura 1 é bem elucidativa do que é o seu local de trabalho. Esta imagem é completamente
oposta do que são os cientistas nos dias de hoje e como se faz ciência num mundo globalizado. As mulheres, por exemplo, em Portugal já estão em maioria e a ciência não é feita individualmente, mas sim com grupos de investigação que podem englobar cientistas de praticamente todos os continentes, o que não era o caso do professor Girassol.


É com enorme pesar que a Direção da Sociedade Portuguesa de Física comunica o falecimento do Prof. José Moreira de Araújo, no passado dia 31 de agosto, Professor Emérito da Universidade do Porto. Expressamos, em nome da SPF, as mais sentidas condolências à família e aos seus colegas e amigos.


O Prof. Araújo nasceu no Porto a 21 de setembro de 1928, tendo efetuado o seu curso liceal no Liceu Alexandre Herculano e concluído a licenciatura em Ciências Físico-Químicas no ano de 1949, na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Como bolseiro do Instituto de Alta Cultura parte em novembro de 1952 para realizar o seu trabalho de doutoramento em Física Teórica na Universidade de Manchester, sob a orientação do Prof. Leon Rosenfeld. A sua tese de doutoramento, sobre Collective Motions in Atomic Nuclei, foi defendida em maio de 1955, sendo examinador externo o Prof. Rudolf Peierls.


O projeto MEDEA é uma iniciativa da SPF – Sociedade Portuguesa de Física e da REN – Redes Energéticas Nacionais, que promove a medição e conhecimento científico dos campos elétricos e magnéticos de muito baixa frequência produzidos, no meio ambiente, por qualquer equipamento ou circuito elétrico, nomeadamente na vizinhança de linhas de transporte de energia elétrica.

Os vencedores foram:
1º Lugar – Rebobina – Escola Secundária José Gomes Ferreira (Lx)
Alunos: Adolfo Morgado, Gonçalo Silva, Lourenço Barreto, Vasco Couto
Coordenados pelo Prof. Luis Afonso


A equipa portuguesa que participou na Olimpíada Europeia de Física, que decorreu de forma remota entre 20 e 26 de julho, arrecadou uma medalha de bronze e uma menção honrosa.
A medalha de bronze foi conquistada por Gabriel Alberto Mourão Almeida e a menção honrosa por Nuno Gabriel Carvalho Carneiro, ambos estudantes da escola
secundária Santa Maria Maior, Viana do Castelo. A equipa portuguesa integrou também os estudantes Martim Pinto Paiva (E.B.+S. Fontes Pereira de Melo, Porto), Afonso Santiago Nunes Gonçalves (E.S. Carlos Amarante, Braga) e Gabriel do Carmo Rouxinol (E.S. de Gafanha da Nazaré). Os estudantes realizaram as provas no Departamento de Física da Universidade de Coimbra.


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